Café em Queda Livre
Mercado Sob Pressão Climática e Excesso de Oferta

O mês de Junho de 2025 trouxe ventos gelados para o mercado cafeeiro – e não apenas no sentido meteorológico. Enquanto massas polares avançavam sobre regiões produtoras, as cotações despencavam em ritmo acelerado, marcando um dos piores desempenhos mensais dos últimos anos.
O colapso dos preços
Nas bolsas e mercados físicos, o cenário era de nítida correção. O café arábica, tradicionalmente mais valorizado, viu seu preço médio recuar para patamares não observados desde o final de 2024. A saca de 60kg, que meses atrás mantinha os produtores em situação confortável, agora opera abaixo da barreira psicológica dos R$ 2.000 – fechando o período em R$ 1.834,36, uma queda vertiginosa de 21,5% em apenas 30 dias.
O robusta, variedade mais resistente mas igualmente sensível às oscilações de mercado, acompanhou o movimento. Com média de R$ 1.256,71/saca em junho, registrou retração de 18,4% ante maio, pressionado pelo mesmo conjunto de fatores.
Desempenho por Variedade
Café Arábica
- A cotação média do tipo 6 (bebida dura para melhor) ficou em R$ 2.126,10/sc na capital paulista, recuando 14,4% em relação a maio.
- Trata-se do menor valor real desde novembro de 2024 (ajustado pelo IGP-DI).
- No final do mês (30/06), o preço fechou em R$ 1.834,36/sc, acumulando queda de 21,5% em junho.
Café Robusta
- A média do tipo 6 (peneira 13 acima) no Espírito Santo foi de R$ 1.256,71/sc, com retração de 18,4% frente ao mês anterior.
- Em termos reais, é a cotação mais baixa desde junho de 2024.
- No dia 30, o indicador encerrou em R$ 1.105,07/sc, marcando queda mensal de 20,75%.
A tempestade perfeita
Três elementos convergiram para esta crise de preços:
- Avanço da colheita – A safra 2025/26 entrou em fase decisiva, inundando o mercado com novos lotes
- Condições climáticas – O frio intenso gerou apreensão, embora os danos por geadas tenham sido localizados
- Ajuste de mercado – Após meses de valores artificialmente elevados, ocorreu uma correção técnica inevitável
O fator climático
Embora as geadas tenham sido pontuais – concentradas em áreas específicas do Paraná –, seu impacto psicológico foi significativo. Produtores de Minas Gerais e São Paulo respiraram aliviados ao constatar que suas lavouras escaparam ilesas, mas o susto foi suficiente para acelerar liquidações por parte de traders mais cautelosos.
O que esperar?
Analistas apontam que o mercado deve permanecer volátil nos próximos meses:
- A colheita em andamento continuará pressionando os preços
- O clima segue como variável imponderável, especialmente com previsões de inverno rigoroso
- O consumo global, embora estável, não mostra sinais de crescimento capaz de absorver o excesso de oferta
Enquanto isso, os produtores se veem diante de um dilema: vender agora a preços deprimidos ou armazenar na esperança de uma recuperação futura – estratégia arriscada que exige disponibilidade de capital e infraestrutura adequada.
Este movimento de mercado serve como alerta para toda a cadeia cafeeira, evidenciando a necessidade urgente de mecanismos mais eficientes de proteção contra volatilidade extrema. Enquanto soluções estruturais não avançam, os participantes do setor seguem à mercê das intempéries – tanto as climáticas quanto as econômicas.
