Março 7, 2026

Participação da SINCAL no Fórum Mundial de Produtores de Café.



Prezados
Cafeicultores, encerrou-se o Fórum Mundial de Café na Colômbia e nós da SINCAL,
temos os seguintes comentários.


É
geral a opinião de diversos países com relação aos preços praticados
atualmente, que não estão correspondendo à necessidade da cafeicultura mundial.
Todos os países se manifestaram contra essa situação dos preços baixos. Os
custos subiram muito mais do que o preço do café, a desproporcionalidade tornou
praticamente insustentável a produção de café. E isso trará reflexos em relação
à cadeia como um todo.


Também
ficou muito claro de que precisa analisar junto com os compradores, com as
torrefações, os grandes oligopólios internacionais, um estudo para mostrar que
existe uma grande disparidade entre o preço pago ao consumidor, ao produtor e
ao cafeicultor, e também aquilo que se angaria em termos de rentabilidade a
esses oligopólios.


Também
tivemos a oportunidade de conversar com muitos representantes de diversos países
e cafeicultores das diversas regiões produtoras de café pelo mundo, e eles
demonstraram que o Brasil tem praticado uma política errônea, uma política
provocando dumping. Como um país tão
importante na produção mundial, praticamente 1/3 da produção cafeeira, tem
trazido consequências desagradáveis a outros países em termos de preço? O que
ficou muito claro, é que o Brasil não é bem visto como produtor e como
protagonista neste mercado.


Foi
positiva, de modo geral a nossa participação, colocamos os pontos básicos que o
Brasil tem praticado, e que não está a contento para os produtores brasileiros,
frisamos que essa sistemática do Brasil tem provocado dumping, e isso tem sido negativo para o mercado mundial. Talvez
tenha parecido uma situação um tanto antipatriótica, mas não vemos por esse
lado, porque temos que pensar nas futuras gerações e pensar também nos outros
cafeicultores de outros países, que são, inclusive, mais pobres que o Brasil.


Que
a nossa política tem sido traçada de uma maneira incorreta e que também não se
faz necessário a interferência do setor governamental na cafeicultura.


Que
as políticas do setor governamental com relação à cafeicultura têm trazido
sérias consequências nessa política de dumping.
Colocamos de que a fixação de um preço mínimo de R$ 333,03 não cobre o custo em
hipótese alguma e que o Brasil não tem cumprido as leis, como o Estatuto da
Terra (Lei 4.504), nos seus artigos 73 e 85, onde deveria levar em consideração
o custo real que nós temos como base da UFLA/CNA na faixa de R$ 485,00 para o
arábica e R$ 332,00 para o robusta. Colocamos estes pontos, e que o governo não
tem respeitado esta política e tem feito intervenções totalmente ao contrário e
que para nossa opinião a intervenção governamental tem sido extremamente
negativa.


Tivemos
a oportunidade, também, de acertarmos com alguns países uma troca de
intercâmbio para que possamos estar alinhados e colocando as dificuldades que
nós temos e os outros países também colocar estas dificuldades conosco.





Armando Mattiello com Dr. José Dauster Setti presidente da OIC


Num
contexto geral, o Fórum foi positivo, e as medidas que serão tomadas são
medidas que trarão benefícios ao setor produtivo. O custo da mão de obra é
extremamente impactante na produção de café, e isso ficou generalizado a nível
mundial. Porque nós sabemos com a evolução da economia mundial e a evolução da
tecnologia, a mão de obra cafeeira sempre é uma mão de obra talvez mais
secundária em termos de tecnologia, e com a evolução mundial isso tem trazido
uma escassez de mão de obra e o preço tem aumentado muito, e também os insumos.


Assim
num resumo geral, podemos dizer que serão tomadas medidas emergenciais, no
sentido de melhorar o preço de café a nível internacional. Logicamente que não
podemos ter preços assim tão elevados, mas também não podemos ter preços
aviltados tem ocorrido, estão vendendo café a preço vil, trazendo sérias
consequências aos cafeicultores e aos trabalhadores rurais. Trata-se de uma
cultura extremamente social e que muitos países encaram isso de uma maneira
muito enfáticas e percebemos que nas diversas manifestações dos países da
américa central, mesmo aqui da Colômbia, dos países africanos, colocaram esse
posicionamento, mesmo os países asiáticos, e que pretendem que seja feita uma
política coerente.


Ficamos
impressionados também com toda organização do fórum, muito bem organizado, e
percebemos o tanto que os colombianos são arraigados na política cafeeira,
estão muito bem organizados e nós estamos muito aquém desta organização,
incrível como os colombianos tratam o assunto do café, também os países da
américa central. Portanto, serviu como base para que possamos fazer mais marketing com o café brasileiro, nós
precisamos urgentemente colocar o café brasileiro no ranking de um café bem
marketeado a nível internacional. Há muito tempo que o Brasil não faz esse marketing.


Portanto,
nós estamos saindo deste fórum com um aspecto positivo, porque percebemos o
descontentamento e que deverão ser tomadas medidas para essas situações
caóticas que tem enfrentado a cafeicultura mundial e principalmente a cafeicultura
brasileira. A representação do Brasil, ao meu ver, ficou muito a desejar,
principalmente por parte do Poder Executivo mostrando não só o aspecto
econômico, mas também o aspecto social. O Brasil não se preocupa tanto com o
aspecto social. Sabemos que temos outros negócios dentro do agronegócio que são
mais representativos, mas não podemos esquecer da importância social da cultura
do café.


Então
é isso que eu gostaria de colocar. E deixo como uma mensagem, que foi
extremamente positiva a nossa participação e nós colocamos pontos evidenciando
essas nossas situações no Brasil.
Armando Mattiello
Presidente da SINCAL

Associação dos Cafeicultores do Brasil